A Datastore, maior empresa de pesquisa imobiliária do país, com mais de R$ 1 trilhão em VGV pesquisados, divulgou o Datastore MONITOR do 4º trimestre de 2025 (36ª edição), com abrangência nacional e base histórica superior a 300 mil entrevistas.
Os dados reforçam um ponto central para o mercado imobiliário: a demanda segue robusta, mas a decisão de compra está mais criteriosa.
Em outras palavras, o desejo de comprar continua elevado, porém a conversão passa a depender cada vez mais de produto, preço, condições e credibilidade.
Demanda segue alta e mantém trajetória de crescimento
A intenção de compra em até 24 meses foi estimada em 12.604.433 famílias, o equivalente a 30,03% das famílias brasileiras com renda superior a 2 salários mínimos mensais.
No recorte de 12 meses (subgrupo dentro dos interessados em 24 meses), o índice chegou a 43,5%, representando 5.482.928 famílias.
É um volume expressivo e consistente, que confirma um mercado ativo e com base de compradores relevantes. Além disso, o indicador de 24 meses mantém trajetória positiva, consolidando nove trimestres seguidos de crescimento.
O que mudou não foi a demanda, foi a urgência
Na comparação trimestral, o indicador de 24 meses avançou +0,12% frente ao 3º tri/2025 e +0,62% em relação ao 4º tri/2024.
Já o indicador de 12 meses recuou -0,10% versus o trimestre anterior e -2,50% na comparação anual.
Esse movimento não sinaliza enfraquecimento da demanda.
O que ele revela é outra coisa: menor senso de urgência na decisão de compra.
O comprador continua no mercado, mas está mais seletivo, mais analítico e menos impulsivo.
É um comportamento típico de ciclos de juros mais altos.
Há espaço em todos os segmentos, mas não para produto mal calibrado
Por segmento, o mercado segue forte e competitivo.
No horizonte de 24 meses, os percentuais foram:
MCMV: 26%
SBPE: 32%
Luxo: 35%
No horizonte de 12 meses, os índices ficaram em:
MCMV: 41%
SBPE: 43%
Luxo: 45%
A leitura é objetiva: há demanda em todos os segmentos.
Mas a diferença entre vender bem e encalhar o produto estará, cada vez mais, na qualidade da decisão anterior ao lançamento, especialmente em mix, posicionamento, precificação e proposta de valor.
Leitura regional ajuda a calibrar risco e estratégia
Nos recortes regionais de 24 meses, o Sul lidera com 32,71%, seguido por Centro-Oeste (31,74%) e Sudeste (31,72%).
No recorte de 12 meses, essas regiões aparecem novamente na dianteira:
Sul: 45,4%
Centro-Oeste: 45,2%
Sudeste: 44,4%
Mais do que apontar “a melhor região”, esse tipo de informação ajuda a calibrar o que realmente importa para quem decide: risco, estratégia comercial e posicionamento por praça.
Regiões mais aquecidas tendem a ampliar a disputa por diferenciação e confiança.
Já regiões com menor intensidade exigem ainda mais disciplina para acertar produtos, bolso do cliente e condição comercial.
O mercado não precisa de mais oferta. Precisa de mais aderência
Quando o mercado olha apenas o percentual, enxerga um termômetro.
Mas, para quem decide produto, mix e preço, o que importa é o que está por trás do número:
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tamanho real do público
-
timing de compra (urgência)
-
distribuição regional
-
resiliência por segmento
Esse é o ponto central do MONITOR: a demanda existe, mas a conversão está mais técnica.
Para quem tem estoque, isso significa foco em ajustes de precisão, tais como:
-
posicionamento
-
proposta de valor
-
comunicação
-
condições comerciais inteligentes
Para quem vai lançar, o caminho mais seguro é entrar com aderência comprovada, calibrando mix, elasticidade de preço e diferenciais que realmente influenciam a decisão de compra.
2026 será um ano de execução, não de aposta
A leitura do MONITOR é positiva, mas também exigente.
O relatório mostra que a demanda segue forte, porém o comprador está mais sensível a:
-
produto
-
preço
-
condições de negócio
-
credibilidade da empresa
Isso muda o jogo.
Em 2026, o mercado deve premiar menos o “barulho” e mais a capacidade de entregar produto aderente à demanda real.
Como resume Marcus Araújo, fundador da Datastore:
“Concluímos 2025 com a maior demanda imobiliária desde janeiro de 2023.”
É um recado direto para incorporadoras, construtoras e loteadoras que estão planejando lançamentos ou revisando suas estratégias comerciais.
O Monitor não é opinião. É base para reduzir risco
Vale reforçar: o Datastore MONITOR não é uma leitura subjetiva do mercado.
É uma base estatística, com metodologia consolidada, voltada justamente para reduzir risco de decisão.
E isso ganha ainda mais relevância quando olhamos a janela de 12 meses, a mais conectada com lançamentos e velocidade de vendas.
O recorte confirma a mesma tese: o comprador continua presente, mas a compra ficou mais racional.
Em resumo:
vender deixou de ser apenas ter oferta.
Agora é ter aderência.
O que fazer com isso na prática em 2026
Para quem tem estoque (produto na prateleira)
Evite a armadilha do “desconto pelo desconto”.
Antes de reduzir preço, ajuste o que pode estar travando a conversão:
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posicionamento
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entrada
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plano de pagamento
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comunicação
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unidade-modelo
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prova social
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credibilidade
Condições comerciais inteligentes podem acelerar venda e caixa sem destruir margem.
Para quem vai lançar
Entre no mercado com aderência comprovada.
Isso significa:
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calibrar mix
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testar elasticidade de preço
-
validar atributos que realmente agregam valor
-
entender como o cliente da praça decide
Fundamental testar demanda antes do lançamento, para reduzir risco de encalhe e aumentar a previsibilidade de resultado.
O Datastore MONITOR do 4º trimestre de 2025 confirma um cenário claro: a demanda imobiliária brasileira continua ativa e diversificada, mas a decisão de compra ficou mais criteriosa.
Neste ambiente, ganha quem decide com dados e transforma demanda potencial em venda real, com produto certo, preço certo e condições bem desenhadas.
2026 tende a premiar empresas que consigam unir:
-
leitura de mercado
-
inteligência comercial
-
aderência de produto
É isso que reduz risco, melhora performance de vendas e evita formação de estoque.
E um último ponto importante: a 37ª edição do Datastore MONITOR já tem divulgação prevista para 15 de março de 2026.







