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A demanda imobiliária cresce e o comprador pisa no freio.

Por Marcus Araujo, fundador da Datastore

Há quase 13 milhões de famílias interessadas em comprar um imóvel no Brasil. A demanda continua aumentando. O que exige atenção é o tempo que essas famílias estão levando para transformar intenção em decisão.

Na 39ª edição do Datastore Monitor, referente ao terceiro trimestre de 2026, o interesse em adquirir imóveis nos próximos 24 meses chegou a 30,58%. São 12.882.849 famílias, dentro de um público-alvo de 42.128.350 famílias com renda mensal acima de R$ 2.800. O avanço foi de 0,09 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 0,67 ponto percentual na comparação com o terceiro trimestre de 2025.

É um mercado grande, presente e que continua se renovando. Mas crescer no horizonte de dois anos, por si só, não significa acelerar a compra agora. Essa diferença precisa entrar na leitura de quem incorpora, desenvolve produto e vende imóveis.

O prazo da compra revela a cautela

Entre as famílias que pretendem comprar em até 24 meses, 43,8% querem realizar a compra dentro de um ano. Esse indicador permaneceu estável em relação ao segundo trimestre. Em números absolutos, representa 5.642.688 famílias. A participação não mudou, mas passou a incidir sobre uma base maior de interessados.

Na minha leitura, parte dos compradores está jogando a decisão para frente. A incerteza puxa o freio de mão. O desejo permanece, enquanto a família compara condições, avalia o cenário e escolhe o momento de assumir o compromisso.

O Monitor mede intenção de compra. Quando interpreto a estabilidade do horizonte de 12 meses como um sinal de ritmo mais estável, estou fazendo uma leitura do comportamento da demanda. Para o incorporador, ela ajuda a dimensionar o mercado de lançamento e a reconhecer o perfil do comprador que pode decidir mais cedo.

A leitura regional pede atenção

Todas as regiões avançaram na intenção em 24 meses. O Sul lidera com 33,29%, seguido por Centro-Oeste, com 32,38%, e Sudeste, com 32,28%. Nordeste e Norte registram 25,70% e 21,36%, respectivamente.

No horizonte de 12 meses, o movimento é diferente. Centro-Oeste e Sul estão empatados em 45,5%. O Sudeste registra 44,7%, o Nordeste, 40,3%, e o Norte, 39,9%. Sul e Sudeste recuaram 0,1 ponto percentual no trimestre. As outras três regiões avançaram 0,1 ponto.

É uma oscilação pequena. Ainda assim, o sinal do Sul merece acompanhamento. Uma região pode continuar liderando a intenção de compra e, ao mesmo tempo, mostrar menos urgência. Quem atua na ponta precisa observar essa diferença e ajustar a abordagem comercial.

O comprador de alto padrão negocia mais

Por segmento, a intenção em 24 meses está em 28% no Minha Casa Minha Vida, 32% no SBPE e 34% no luxo. No horizonte de 12 meses, os indicadores são de 40%, 44% e 45%, respectivamente. O alto padrão lidera nos dois recortes.

Esse comprador continua ativo, mas negocia mais. Ele compara alternativas e cobra condições que façam sentido. O tamanho da demanda não dispensa um produto bem definido, uma tabela coerente e uma negociação preparada para o perfil de quem compra.

O investidor vive de oportunidade

O ambiente econômico participa dessa decisão. A Selic chegou a 13,75% ao ano em setembro. Na minha avaliação, disciplina fiscal, inflação controlada e redução dos juros são condições importantes para tornar o investimento imobiliário mais atraente. O investidor vive de oportunidade concreta, e cada negócio precisa fazer sentido na conta.

Para quem desenvolve empreendimentos, o trabalho continua. Novos arranjos familiares surgem, as necessidades mudam e as pessoas seguem precisando morar. Conhecer essa demanda permite decidir melhor sobre localização, planta, preço e condições de compra.

Quem faz o dever de casa agora se prepara para os próximos ciclos. A cautela do comprador exige mais conhecimento de mercado e mais precisão no produto. É assim que os dados ajudam a transformar interesse em uma proposta que a família reconhece como sua.

Sobre os dados

O Datastore Monitor 39 utiliza dados coletados antes da votação do primeiro turno das eleições de 2026. Esta edição não mede a reação posterior ao resultado das urnas. A 40ª edição tem divulgação prevista para 15 de dezembro de 2026.

Fontes: Datastore Monitor 39, 3º trimestre de 2026; artigo e frases fornecidos por Marcus Araujo; Banco Central do Brasil, comunicado sobre a meta Selic vigente a partir de 17/09/2026.



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