HOLLYWOOD É REAL ESTATE
Ou “você não percebeu, mas toda história já contada é sobre o mercado imobiliário e isso é uma verdade absoluta.”
Bora dar uma viajada “guacamolesca” que parece não levar a lugar nenhum, mas que com um pouquinho de amor, leva? Bora!
| O cinema! Como é maravilhoso saber que existem milhares, talvez milhões de pessoas hoje, nesse momento, trabalhando incansavelmente para produzir para nós, histórias que nos permitam viver mais em nossas cabeças cansadas, mais que nossos corpos nos permitam. A máquina do entretenimento é uma coisa linda, e se você não gosta de cinema, não tem problema… pegue o que preferir: novelas, jogos, séries. Tudo no mundo do entretenimento não é sobre sexo mas sim, sobre morar. Já dizia um amigo escritor aí conhecido da gente que o imóvel do ser humano é o mundo dele. Pois é a casa, e não os impulsos sexuais, é o habitat e não a busca por riqueza, o tema central de tudo o que nos preocupa, nos inspira, nos atrai, nos faz ser quem somos. Quer ver? Calma. Eu não fiz uma lista com um monte de filmes pra gente “ver antes de morrer”, ou mesmo uma dissecação fria e calculista do cinema. Meu objetivo com esse texto é iniciar uma série de percepções e as trazer para você, compartilhar com você viagens não- lisérgicas de um Sérgio-pé-no-chão. Eu quero te convidar a não mais assistir seus filmes e séries do coração de forma aleatória, mas que ativem seus sentidos de aranha e percebam: tudo é sobre lar. Se não o lar em si, obviamente, sobre as coisas envolta dele. Em Goonies as crianças buscam um tesouro para pagar a hipoteca que vai salvar todo o vilarejo. Cidade De Deus literalmente tem em seu nome o nome da favela onde todos vivem e onde tudo acontece. Em Senhor dos Anéis o próprio Tolkien (autor dos livros) já falou inúmeras vezes que a história não é sobre os personagens mas sobre a própria Terra Média. Falando de terra, Guerra dos Tronos então é puro drama de grilagem, movimentos sem terra e a discussão eterna da reforma agrária. Dias atrás, eu ri muito com minha esposa assistindo a nova série da Netflix baseada no filme de mesmo nome “Resident Evil” – que literalmente quer dizer “Morador Ruim”. O Vento Levou, O Morro dos Ventos Uivantes, Um Sonho de Liberdade e até mesmo Matrix! Tudo é sobre onde moramos, onde vivemos e o drama – e as felicidades – no seu entorno. Isso sem falar dos centenas de filmes de alienígena. Nem falemos dos filmes alienígenas! Morar está no nosso imaginário. Nos nossos sonhos, nossos dramas, nossas metas e nossa constituição. Por isso está no nosso imaginário. Quando a gente pensa que cada história criada tem algum elemento que revela isso – como quando vamos contar uma história de nós mesmos e não podemos deixar de falar de nós mesmos! – projetar essa história torna-se obrigatório citar elementos do morar. As casas são personagens, são tema, são motivo, são curva de roteiro, são subtexto… não importa que tipo de personagem ou elemento de cena, as casas sempre estão lá pois são parte de quem nós somos como seres imaginativos. O entretenimento se entretém de forma tão livre com isso que trata o elemento morar como um adereço imprescindível. Mas quem vive do mercado imobiliário, corretores, imobiliárias, incorporadores parecem que ainda não entenderam isso e não se mergulham em aproveitar esse grande filão: imóvel é blockbuster! Filmes com produção única de apelo exclusivamente emocional, meetings de lançamentos em grandes salas de cinema, premiações e presentinhos que mais parecem promoções de marcas do entretenimento – e do fastfood… Olhe ao redor: há sim um pessoal desbravador que tem buscado envolver seu público – de corretores e/ou de clientes compradores – em uma atmosfera mais envolvente que narra uma história. Nós mesmo, branders bem apoiados na estatística que fala a verdade temos buscado tijolinhos e argamassa forte pra propor marcas que consigam perdurar, que consigam avançar suas existências e compor-se no panteão imaginativo que é reservado apenas ao que não tem preço, ao que carrega em si valor inestimável, os sonhos. Então o trabalho do criativo é incorporar a uma marca aqueles elementos simples mas potentes, aqueles que contam histórias. Aqueles que permanecem mesmo com a passagem do tempo e que juntos estabelecem uma identidade inconfundível. Ou seja, algo que a gente percebe num bom livro/filme/jogo/quadrinho 🙂 Nós podemos, com a facilidade de quem conta uma história para o filho dormir – ou a destreza de quem conta lorota numa sexta num bar com amigos – explorar melhor nossas habilidades de contadores de histórias. Captar a possibilidade e o desejo do ouvinte de imaginar e com isso usar-se de si mesmo como veículo, quem sabe, até mesmo autoral. O bom vendedor entendeu. E vender, longe dos extremos, não é nem apenas apresentar informações e com isso esperar-se que se feche um negócio como não é contar meias verdades com o objetivo de enganar e com isso simplesmente bater uma meta. A experiência da venda é uma descoberta – exatamente como tudo que experimentamos no entretenimento. Aliás, pense por um momento… casais – famílias – saem no fim de semana para visitar plantões de venda, stands imobiliários… chegam a viajar para cidades vizinhas, na caça por um lar. Até o ato da decisão racional da compra, toda a experiência é para a família um tipo de entretenimento. Se o cinema pode brincar com todos os elementos do imobiliário, se a literatura pode explorar o morar como fator chave numa trama complexa, se cidades, casas, bairros – reais ou imaginários – literalmente atuam como personagens principais nas mais diversas tramas inventadas porque você não pode transformar a experiência de compra do seu cliente, numa grande aventura inesquecível? Se o cinema pode imitar o imobiliário, que o imobiliário imite então ao cinema. Bom filme! 🙂 Conteúdo de profundidade sobre o setor imobiliário, é D+! |







